Cultura, Republicados

Até mais ver, Mestre!*

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Ando numa correria danada nos últimos tempos e muitas coisas andam me passando ao largo. Mas essa notícia sobre o Giba Giba me pegou mal. O cara era o cara. Um baita músico, excepcional pesquisador, muito mais do que defensor da cultura negra no Rio Grande do Sul, um defensor da cultura (e ponto final).

Não bastasse tudo isso, um dia encontrei com ele no Mercado Público, por ocasião de uma exposição alusiva ao centenário do Inter, em 2009. Me aproximei dele, meio com vergonha, porque imaginava estar diante de um gigante. Quando cheguei perto, vi que estava enganado, porque ele era muito mais do que um gigante. Colorado, perguntou se eu estava com pressa (claro que eu não estava, mesmo se estivesse) e ficou conversando comigo, em pé, por quase uma hora ou talvez até um pouco mais. Ali tive uma aula sobre o Inter, sobre a cultura negra, as religiões de matriz africanas, sobre a vida.

Depois disso, cruzei por ele algumas vezes e sempre que podia chegava pra conversar e ele sempre me cumprimentava e me chamava de Colorado. Isso me deixava emocionado e numa das vezes perguntei como ele se lembrava de mim, e ele disse que nunca ia deixar de me reconhecer porque lá no Mercado, naquele primeiro encontro, ele teve a atenção despertada pela minha tatuagem com o primeiro símbolo do Inter, no braço esquerdo. Disse que estava acostumado a ver a gurizada com o símbolo tatuado, mas geralmente o novo ou algo estilizado. O primeiro distintivo, assim quase rústico, ele nunca tinha visto. Estou lembrando disso agora com os olhos cheios de lágrimas. Como pode um cara daqueles que é praticamente um monumento se lembrar de um simples mortal como eu?

Queria ter conversado com ele muito mais, porque eu tenho certeza que isso teria me feito mais inteligente e humano do que eu sou hoje, mas infelizmente nossos encontros nessa passagem pelo planeta foram rápidos, porém foram suficientes para eu poder dizer que a humanidade perdeu um dos grandes ou, como diria o Richard Serraria, o Gigante Negão!

Vai em paz, Mestre!

*Publicado originalmente no blog Na Cidade de Cabeça pra Baixo, em 4/2/2014.

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