Mídia, Política, Propaganda, Republicados

Conselho de Comunicação*

Hoje em dia se faz cada vez mais necessária a participação da população em todas as esferas da administração pública, principalmente nas casas legislativas e nos órgãos do Executivo. E está cada vez mais fácil essa participação, porque há muitos canais de comunicação, e nesse sentido a internet, com todas as suas ferramentas, inclusive e principalmente as redes sociais, é uma grande aliada.

Em tempos de eleição, é sobremaneira importante que tenhamos muito presente na nossa mente a certeza de  que a nossa vida depende das pessoas que escolhemos para nos representar. Mesmo aqueles que são totalmente descrentes da “política”, que acham que tudo o que podem conseguir será através de seus próprios esforços, têm as suas vidas determinadas pelo que acontece no mundo da “política”, que eles tanto abominam. Um vendedor de carros, por exemplo, que entende que só do seu trabalho vai tirar o sustento da sua família, pode não perceber, mas se o governo desonerar a fabricação de veículos, isso vai ter repercussão direta na sua atividade profissional. E a tarifa do pedágio, estabelecida pelo governo ou por suas concessionárias, vai influenciar o custo do transporte do tomate e o seu preço final na feira ou no supermercado. Ademais, as atividades mais prosaicas envolvem um jogo político. Quando o cara diz pro filho pequeno que se ele escovar os dentes direitinho vai poder ficar até um pouco mais tarde olhando tv, está estabelecida uma negociação política. Queiramos ou não, tudo é política. E a omissão por certo não é a melhor das políticas.

Então, nesse contexto em que a participação da sociedade no poder público adquire tamanha importância, a comunicação é um ponto nevrálgico dessa relação. As formas de comunicação hoje em dia são as mais diversas. Desde as tradicionais, como TV, rádio, publicidade estática nas ruas, até a própria internet, que exerce cada vez mais influência na vida das pessoas. O cara tá lá olhando um vídeo no youtube e a tela aparece cheia de banners publicitários. Entra num blog qualquer e lá vem propaganda disso e daquilo. E isso é só a publicidade privada. Ainda mais importante é a propaganda oficial. É fundamental saber, por exemplo, como estão sendo aplicados os vultosos recursos destinados à comunicação social dos órgãos públicos. E aqui chego ao ponto que me interessa no momento.

O governo do estado está criando o Conselho Estadual de Comunicação Social. Fiz aquela introdução para evitar a provável pergunta que muitos fariam diante dessa informação: “O que eu tenho a ver com isso?” Todos nós temos muito a ver com isso. Como se viu, a comunicação nos nossos dias é extremamente dinâmica e difusa. Eu mesmo, que manejo muito mal as ferramentas da internet, criei este blog de maneira muito simples, sem nenhum custo direto, e escrevo o que quiser para quem quiser ler, no mundo todo. Muitos podem não ter a noção exata do que representa esse poder, mas nas mãos de quem tem objetivos definidos, esse tipo de instrumento é uma arma, para o bem ou para o mal. E isso tudo é comunicação.

Acontece que até o dia 10 de setembro, o governo está disponibilizando uma consulta popular sobre a criação desse Conselho, do qual muito se fala nos canais de mídia. Muita gente diz que ele é uma forma de controlar a imprensa e se fala até em instrumento de repressão e censura. Não é verdade. Pelo menos de acordo com o texto do projeto de lei, que está disponível no site gabinetedigital.rs.gov.br. Nesse site é possível saber todas as informações acerca do Conselho e de seu processo de criação, inclusive fazer sugestões ao texto do projeto, dar sugestões sobre a sua composição, enfim, se inteirar do que está acontecendo.

Dado o fato de que a comunicação é parte vital das nossas vidas, sugiro que entrem no site nem que seja para dar uma olhada e não ficar totalmente alienado desse importante passo para a democratização da comunicação no nosso estado. Repetindo o site:

gabinetedigital.rs.gov.br

Por fim, reflitam:

O Analfabeto Político
(Bertold Brecht)
 
O pior analfabeto é o analfabeto político.
 
 Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. 
 
Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
 
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. 
 
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

*Publicado originalmente no blog Na Cidade de Cabeça pra Baixo, em 14/8/2012.

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