Filosofia, Republicados

Hora de mudar o pronome*

Alguém já parou para pensar sobre quantas vezes escutamos a palavra “EU” por dia? O que me chamou a atenção para esse assunto foram as entrevistas coletivas de um renomado técnico que atualmente treina um time da capital. Na última, que eu ouvi parcialmente agora há pouco, em cinco minutos ele disse “eu” 17 vezes. Não me enganei não: DEZESSETE! O presidente desse mesmo clube, aboliu a ideia de coletividade, porque tudo o que acontece, segundo ele, passa pelo “eu”. Sempre sou “eu” que faço tudo. A não ser, é claro, quando as coisas não dão tão certo… Há um cronista que escreve para um grande jornal aqui de Porto Alegre que acha que todos os assuntos de interesse para a sociedade passam pelo seu “eu”. Somente “eu” (no caso, ele) sou responsável por essa iniciativa do poder público, pelo que fez o executivo daquela grande corporação, e até o que o outro fez foi sob influência minha.

É tanto “eu fiz”, “eu faço”, “eu posso”, “eu tenho” que eu (vejam só!) me pergunto se os outros pronomes ainda continuam vigentes.

Não estaria na hora de trocarmos um pouco de pronome? Tudo bem, pra que não fiquemos meio perdidos sem o “eu”, usemos um pouco mais o “nós”. Quem sabe esse pequeno deslocamento do eixo central do universo para alguns centímetros além do “eu” possa nos trazer algum benefício.

Enquanto isso, EU vou terminando porque tenho que buscar a minha filha na escolinha.

*Publicado originalmente no blog Na Cidade de Cabeça pra Baixo, em 4/5/2012.

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